Chance de reconstrução

O anúncio da retomada dos investimentos no Comperj traz um alento diante de tantas notícias negativas

Quinze prefeitos da Região Leste Fluminense se reuniram em Nova Friburgo com um objetivo central: retomar com força o Consórcio do Leste Fluminense (Conleste), que reúne as administrações municipais de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Saquarema, Guapimirim, Magé, Nova Friburgo, Teresópolis, Tanguá, Rio Bonito, Araruama, Cachoeiras de Macacu, Casimiro de Abreu e Silva Jardim.

Mais de 3,5 milhões de habitantes, quase 25% da população do Rio, vivem nestas cidades. Em comum, o fato de terem sido impactadas pelo anúncio do megaempreendimento do Comperj, em Itaboraí, na década passada. A promessa de eldorado transformou-se em pesadelo. Todos os municípios foram fortemente atingidos com a paralisação das obras desse projeto, que é importante não apenas para a região, mas para todo o Estado do Rio.

Não é trivial governar cidades diante da mais grave recessão do país. Sobretudo no Estado do Rio, que vivencia a mais dramática situação fiscal e administrativa dentre todas as 27 unidades da Federação.

Em função desse cenário, deliberamos estruturar, neste segundo semestre deste ano, um Plano Estratégico de Desenvolvimento para a região, com a parceria de universidades e até mesmo a participação de bons consultores do setor privado. Criaremos um Conselho de Desenvolvimento, com lideranças empresariais e sociedade civil da região, para pactuar metas e constituir um ambiente favorável aos investimentos e negócios.

Em outra frente, implementaremos um Centro de Apoio à Gestão Pública, com escola de governo e assessoria à melhoria da qualidade das administrações municipais, porque reconhecemos que é necessário e inadiável o foco na busca da eficiência e transparência nas prefeituras, aprendendo, inclusive, com os erros do passado.

O anúncio da retomada dos investimentos no Comperj traz um alento diante de tantas notícias negativas sobre a economia fluminense. Os projetos da Petrobras e de empresas estrangeiras na exploração e produção do pré-sal nos campos de Tupi, Libra e Lula também são um acontecimento extraordinário para nossa região. Provavelmente, num cenário geral de crise fiscal, nossas cidades deverão ampliar suas receitas a partir de 2018.

Abre-se, então, uma oportunidade para reconstruir a esperança em um futuro melhor, com menos violência, mais geração de empregos e qualidade de vida para as cidades e os cidadãos.

Há, entretanto, um longo caminho a ser percorrido, que deve ser trilhado com planejamento, disciplina, criatividade e decência. Neste contexto, é sempre bom se lembrar da perspicaz observação do sociólogo português Boaventura de Souza Santos:

“Esperar sem esperança é a pior maldição que pode cair sobre um povo. Mas a esperança não se inventa, constrói-se com alternativas à situação presente, a partir de diagnósticos que habilitam os agentes sociais e políticos a serem convincentes no seu inconformismo e realistas nas alternativas que propõem”.

Rodrigo Neves é prefeito de Niterói e presidente do Conleste

Fonte: O Globo

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