Cidades do Rio decretaram emergência por causa de estiagem e seca

Por  Extra
Em 20/10/2017

RIO – A homologação nesta sexta-feira do estado de emergência do município de Cardoso Moreira, no noroeste do estado, elevou para dez o número de cidades fluminenses que decretaram a medida para buscar recursos do governo federal para enfrentar o longo período de estiagem. Com cerca de 13 mil habitantes e uma economia apoiada na pecuária, Cardoso Moreira contabiliza prejuízos incalculáveis na produção de carne e leite. Apesar da previsão de chuvas para os próximos dias, outras duas cidades (Itaperuna e São Sebastião do Alto) devem tomar a mesma medida na segunda-feira.

O prefeito de Cardoso Moreira, Gilson Nunes Siqueira (PP), que está no seu quarto mandato, revelou nunca ter visto seca tão intensa na região.

— Não chove há quatro meses. O Rio Muriaé que abastece a cidade esta secando. Para você ter uma ideia, nessa época do ano o rio deveria ter dois metros de profundidade, mas está com apenas 25 centímetros. O que nós aqui na região percebemos é que a seca tem ficado mais intensa ano a ano — disse Gilson Siqueira.

Como O GLOBO revelou na edição desta sexta-feira, pelo menos três milhões de pessoas já estão sendo de alguma forma afetadas no estado do Rio com a falta de chuvas que tem deixado secos rios e nascentes. A longa estiagem provocou a queda da captação de água em cerca de 30%. Já estão em regime de estado de emergência os municípios de São José do Ubá, Miracema, São Fidélis, Itaocara, Bom Jesus de Itabapoana, Santo Antônio de Pádua, Laje do Muriaé, Varra-Sai e Italva. No Norte e no Noroeste Fluminense, as regiões mais afetadas, algumas áreas estão com o abastecimento racionado e já falta água para beber em algumas casas. A seca é mais intensa em cidades como Miracema, Itaocara, Laje do Muriaé e São Fidélis.

O prefeito de Itaperuna, Marcus Vinícius de Oliveira Pinto (PR), divulgou um vídeo nesta sexta-feira no qual fez um apelo ao estado e ao governo federal para que socorram as cidades castigadas pela seca.

— Montamos um gabinete de crise no município para avaliar todos os impactos da seca. Já temos cerca de 40 mil pessoas, dos 96 habitantes da cidade, vivendo sob os efeitos da longa estiagem. Está faltando água para consumo humano e animal. A situação é de muita gravidade — revelou Marcus Vinícius.

A Cedae informou que o estado está atravessando um período de estiagem prolongado e a consequente diminuição da vazão dos rios que abastecem municípios do interior do estado.

Em nota, a estatal voltou a pedir à população que economize água e lembrou que “está trabalhando para diminuir os impactos da estiagem com manobras operacionais em sua rede de distribuição”. Segundo a Cedae, moradores da Baixada Fluminense também têm sido atingidos devido a variações nos níveis das represas que abastecem áreas de Caxias e Nova Iguaçu, duas das maiores cidade do estado.

— Eu não tenho informações precisas da Região Metropolitana, mas no interior o que chegou ao meu conhecimento é que temos cerca de 20 cidades em situação crítica. Algumas já decretaram estado de emergência, e tenho notícias que mais cidades devem fazer o mesmo, se a situação não melhorar — afirmou Luiz Antônio da Silva Neves, prefeito de Piraí e presidente da Associação Estadual de Municípios do Rio de Janeiro (Aemerj).

A estiagem também provocou a redução da quantidade de água nos rios Guapiaçu e Macacu, em Cachoeiras de Macacu, onde a Cedae faz a captação para o sistema Imunana-Laranjal, que abastece três milhões de pessoas das cidades de Itaboraí, São Gonçalo e Niterói, de parte de Maricá e da Ilha de Paquetá.

— Para nós, é a maior seca dos últimos anos três anos. Nunca tivemos uma estiagem tão longa. Acompanho a situação desde 1999. Tivemos problemas de abastecimento em 2015, 2016 e agora em 2017. A cada ano, fica mais severa. É preciso uma solução definitiva para resolver a situação — disse Nelson Gomes, superintendente da concessionária Águas de Niterói, que atende os moradores de Niterói.

Gomes disse ainda que, se nada for feito, a cidade poderá enfrentar racionamento de água nos próximos anos:

— Existe previsão de chuva nos próximos dias. Aqui a situação vai melhorar, mas eu estou pensando no futuro, ano que vem. Não podemos descartar medidas como o racionamento, se nada mudar.

O governo do estado tem um projeto para a construção de uma barragem no Rio Guapiaçu, que se arrasta desde a década de 1980. Moradores, produtores rurais e ambientalistas são contrários à obra, que seria feita para abastecer as regiões atendidas pelo sistema Imunana-Laranjal. No fim de 2015, o então secretário estadual do Ambiente, André Correa, havia dito que seria necessário o alagamento de 340 propriedades, afetando cerca 1,5 mil pessoas. Segundo a subsecretária de Segurança Hídrica e Governança das Águas, o projeto está parado e sem previsão de retomada. A obra chegou a ser licitada, mas não saiu do papel.

Fonte: Extra

Foto: Divulgação

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